Cálculo Exato

Regência Verbal

 

Olá povo,

Semana passada damos uma geral nos verbos. Antes de vermos as conjugações, vamos ver outro assunto importante relativo aos verbos: a regência verbal. Se você não conhecia, prazer em conhecer (ou “desprazer”). Infelizmente, é um assunto de pura decoreba.

Parte “Zero”: Conceituando

Regência Verbal nada mais é do que uma lista de verbos para decorar a chamada “transitividade verbal”: se eles são transitivos direto, indireto, os dois (total flex) ou intransitivo. Tá certo, você não entendeu nada, né? Vamos com calma. Nada mais didático do que os exemplos:

Josefino assistiu o filme
Josefino assistiu ao filme

Observe essas duas frases, por exemplo. A correta é a segunda, pois o verbo “assistir” exige preposição “a”:

Josefino assistiu ao filme

Portanto, o verbo “assistir” exige preposição “a” quando tem o sentido de “ver”, “olhar”. Isso que é Regência Verbal: decorar uma lista de verbos e ver o que eles exigem.

OBS: O “ao” é composto da preposição “a” (exigida pelo verbo) e pelo artigo “o” (que define o substantivo “filme”).

Êta vida de povão, pegando um ônibus do BREGA-BREGA Transportes LTDA.
Não têm dinheiro, ligam a cobrar, falam errado e querem sair na Rede “Grobo”
no “Filma Nois Gauvão”

Parte 1: Os verbos que enganam o povão

Nessa parte, vamos ver os verbos que estão na boca do povão de forma errada: todo mundo fala errado e só na prova da escola ou no vestibular está certo. Vamos lá:


# NAMORAR

Qual é o certo?

Virinalda namora Virinaldo.
Virinalda namora com Virinaldo.

Virinalda.
Virinaldo

Se você disse “namora com Virinaldo”, então você errou! É um erro clássico da Regência Verbal. O correto é “Virinalda namora Virinaldo”. Namorar é um verbo transitivo direto: não tem necessidade de enfiar nenhuma preposição. Todo mundo fala, de forma errada, “eu namoro com a fulana”, “beltrana namora com o ciclano”.

Portanto, não se esqueça que, para o verbo “namorar”, não se usa “com”.


OBS: Verbo transitivo direto: não precisa de preposição depois do verbo. Verbo transitivo indireto: precisa de preposição depois do verbo.

# PREFERIR

Outro verbo muito interessante vem no próximo exemplo.

Qual é o certo?

Vanzulmirete prefere matemática do que filosofia
Vanzulmirete prefere matemática a filosofia


Vanzulmirete é ótima nas exatas

O correto é “Vanzulmirete prefere matemática a filosofia”. Todo mundo fala “eu prefiro isso do que aquilo”, mas não se usa o termo “do que” para o verbo preferir, mas sim o “a”: “eu prefiro isso a aquilo”.

Sim, eu sei: é estranho, tanto que, às vezes, eu mesmo prefiro falar errado a pensarem que eu estou falando errado.
(filosófico, não? Agora estou inspirado para escrever um artigo na minha coluna no VB Cult)

Agora, vejamos essa próxima:

#(DES)OBEDECER

Mitzu Tapanakara obedece o aviso
Mitzu Tapanakara obedece ao aviso
Um aviso bem útil

O correto é “obedece AO aviso”. O verbo obedecer é transitivo indireto, portanto você precisa literalmente enfiar a preposição “a” entre ele e seu complemento. Portanto, sempre diga “eu obedeço AOS meus pais”. Bem… no caso de desobedecer, a regra vale também: “eu desobedeço AOS meus pais” e, no caso do exemplo, seria “Mitzu desobedece AO aviso”. Está errado falar “obedeço o fulano, obedeço o ciclano”.

OBS:  O “AO” é a junção de “A” mais “O”. Se tiver uma palavra feminina depois do verbo, o “O” vira “A” e a junção é “A” com “A”. A fusão de dois “A” é o “A” craseado (à). Ex: Mitzu obedece à advertência (advertência=palavra feminina)

Para finalizar essa primeira parte, vejamos esse caso:

#DESFRUTAR/USUFRUIR

Berineteu desfruta de seu carro novo
Berineteu desfruta seu carro novo
Carro novo de Berineteu,da BREGA-BREGA
Carrocerias & Motores LDTA

O correto a se dizer é “Berineteu desfruta seu carro novo”. Desfrutar é verbo transitivo direto, assim como o verbo “usufruir”. Portanto, é errado dizer, por exemplo: “fulano desfruta do final da tarde”. O correto é “fulano desfruta o final da tarde”…

Agora, depois dessas explicações, você concluiu a 1ª parte da Regência Verbal. Dê mais uma lida nos seis verbos que acabamos de ver e vamos para a segunda parte dessa epopeia.

Créditos das imagens (na ordem em que são apresentadas)
lorotasdadoca.blogspot.com

diariodeumjuiz.com

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mixtotal.net
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Parte 2: Os verbos clássicos que sempre caem nas provas

Na parte 2, veremos a clássica trindade do “A” (Aspirar, Assistir, Agradar) e outros verbos mais que clássicos (visar, querer, esquecer…). Você não pode estudar Regência Verbal sem ver esses verbos.

imagem adaptada da Desciclopedia

#ASSISTIR

Você imediatamente associa o verbo “assistir” ao “ver”, principalmente TV (estou assistindo ao programa tal). Porém, “assistir” tem, pelo menos, 4 significados diferentes. Vamos nos ater a 3, que são os que tropeçam e caem nas provas.

>>>No sentido de “ver”, nós usamos a preposição “A”:

Bereneu assistiu ao filme “Homem-Aranha”


Veja como é perigoso quando não se tem nada de útil para se fazer

Portanto, assistir no sentido de “ver” tem que usar o “a”: “assisti ao jogo, ao filme, ao campeonato, ao desenho, à apresentação, à opera e por aí vai”. Está errado dizer “assisti o filme”.

OBS: mais uma vez saliento e bato na mesma tecla (por que tecla? sei lá): “ao” é união da preposição “a” (exigida pelo verbo) com o artigo “o” (substantivo masculino que vem em seguida) e “à” é a união da preposição “a” (exigida pelo verbo) com o artigo “a” (substantivo feminino que vem em seguida).

>>>Assistir no sentido de “morar”, se usa a preposição “EM”:

Assisto em Tangamandápio.
(quer dizer que moro em Tangamandápio). É uma expressão já em desuso hoje em dia: só serve para cair em provas mesmo, porque nunca vi ninguém falar isso (exceto o professor que explica essa matéria).

>>>Assistir no sentido de dar assistência (ajudar, auxiliar) não tem preposição:

Assisti o cachorro a usar o computador.

Nesse sentido, de dar assistência, de ajudar, não tem preposição.

Observe essas duas frases:

Assisti o velhinho a morrer
Assisti ao velhinho a morrer

Na primeira frase, não tem preposição (só o artigo “o”, que define “velhinho”). Portanto, “assistir” tem sentido de “dar assistência”, “ajudar”. Portanto, eu ajudei o velhinho a morrer (nenhum pouco ético): cheguei lá, perguntei “queres ajuda com sua morte” e ajudei o velho a morrer.

Na segunda frase, tem preposição (preposição “a” + artigo “o”). Portanto, “assistir” tem sentido de “ver”, de “olhar”. Portanto, eu fiquei observando o velhinho morrendo, sem fazer nada: só vendo (que coisa mais mórbida).

É nessa brincadeira de duplo sentido com a presença ou não de preposição que você deve estar atento.

#ASPIRAR

O verbo aspirar tem dois sentidos: o mais comum, que é “sugar” e o menos comum, que é “desejar”.

>>> No sentido de “sugar” (aspirar o ar, sugar o ar) não tem preposição.

Chuck Norris odeia aspirar fumaça de cigarro.

Vejam que não tem preposição nenhuma entre “aspirar” e “fumaça”, pois aspirar tem sentido de sugar a fumaça, respirar a fumaça.

>>>Aspirar no sentido de “desejar”, “querer”, “sonhar” tem preposição:

Cremilda aspira ao talento de dirigir de modo satisfatório.

Observe que entre “aspira” e “talento” tem o “AO”, que é o encontro da preposição A, exigida pelo verbo, com o artigo “O” (que define “talento”)

Portanto, aspirar no sentido de sugar não tem preposição, enquanto no sentido de querer ou desejar tem preposição “a”.

Vejamos, agora, o verbo “agradar”.

# AGRADAR

O verbo “agradar” tem dois sentidos: fazer carinho (acariciar) ou agradar mesmo, da forma que a gente conhece (ser agradável)

>>>No sentido de “acariciar” ou “fazer carinho” não exige preposição:

Virinalda agradou Virinaldo

Ou seja: Virinalda acariciou, fez carinho em Virinaldo.

>>>No sentido de “ser agradável”, “satisfazer” ou “contentarexige a preposição “a”:

O jogo não agradou ao técnico Jurandiano


Portanto, só se usa preposição com o verbo “agradar” quando ele ter o sentido de “ser agradável” ou “satisfazer”.

# VISAR

O verbo “visar” tem três significados: “dar o visto”, “desejar” e “mirar no alvo”.
vai ter preposição “a” quando significar “desejar”, “almejar”. Portanto, é mais fácil de decorar. Veja:
Filocrilda visa a se tornar uma boa treinadora de cães

Filocrilda e sua incrível habilidade de controlar e treinar cães

Veja que, como “visar”, nesse caso, sem o sentido de “desejar” (Filocreilda deseja se tornar uma boa treinadora), existe preposição “a” depois desse verbo. Se não tiver o sentido de “desejar”, então não use a preposição “A” depois dele. Pronto: só se usa o “a” com o sentido de “desejar”.

Você conseguiu gravar todos? Dê uma revisada na lista acima, antes de partirmos para os verbos problemáticos.

# QUERER

Esse é um daqueles casos “sem-noção”: a gente aprende algo que nunca usamos. O verbo querer tem dois significados: o normal, que é “desejo de algo, desejo de posse”, ou então o marciano (ou sei lá de que planeta do Universo), que é “gostar” ou “estimar”.
>>>No sentido de “desejo de posse por algo”, não exige preposição “a”.
Eu quero o carro de Valdireno.

“Querer”, nesse caso, tem o mesmo significado de “desejo de posse”. Portanto, não tem preposição “a” depois dele: é transitivo direto. Não tem preposição entre o “quero” e o “carro”: só tem o “o”, que é artigo definido.
>>> No sentido de “estimar” ou “gostar” exige a preposição “a”.
Filomóide quer ao seu cachorro.
Estranha, não? Significa que Filomóide gosta, tem estima por seu cão… Esse é mais um caso que está em completo desuso na língua portuguesa, exceto nos vestibulares da vida e nos concursos públicos. Não entendo o fundamento de estudar coisas que nós não usamos. Comentários a parte…
Portanto, veja:
Eu quero o carro de Valdireno.
Eu quero ao carro de Valdireno.

Na primeira oração, eu literalmente quero o carro de Valdireno para mim. Na segunda, eu “estimo”, eu “gosto” e “respeito” o carro de Valdireno.

Nessas duas partes, nós vimos a regência verbal de 11 verbos: namorar, preferir, obedecer, desobedecer, desfrutar, usufruir, assistir, aspirar, agradar, visar, querer. Você se lembra de todos? Aconselho a dar mais uma olhada para fixar, mas não se esqueça de que fazer exercícios é a forma mais eficaz de fixar esse conteúdo.

Crédito das imagens
papodemeiofio.blogspot.com
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incontrolavel.com.br

Parte 3: Verbos peculiares

Agora, vamos partir para uns verbos mais chatos e problemáticos (um eufemismo: mais “peculiares”). Na primeira parte, nós vimos os verbos mais comuns de serem confundidos e, na segunda, nós vimos os verbos que variam de significado. Agora, são os mais peculiares mesmo.

#ESQUECER/LEMBRAR

Se forem pronominais, eles se tornam transitivos indiretos. Caso contrário, serão transitivos diretos. Se você não entendeu o que eu acabei de dizer, fique frio: não esquente a cabeça. Nada mais didático do que os exemplos:

Zulmicredo se esqueceu do carro no estacionamento.
Zulmicredo esqueceu o carro no estacionamento.


Zulmicredo buscando o carro esquecido no estacionamento


Essas duas orações estão corretas. A primeira é pronominal. Antes de “esqueceu” tem um “se”. Portanto, tem que dizer “se esqueceu da”. A segunda oração não é pronominal, portanto vai direto: “esqueceu a”. Entendeu? Vamos ver outro exemplo:

Ontem, me esqueci do pen-drive em casa.
Ontem, esqueci o pen-drive em casa.

A primeira oração é pronominal: tem um “me” antes do “esqueci”. Logo, preciso usar preposição depois do verbo esquecer, ficando “me esqueci da”. Na segunda oração, não tem pronome. Portanto, é direto: “esqueci a chave”.

Essa mesma propriedade acontece com o verbo “lembrar”. Portanto, ou a gente fala “me esqueci disso”, ou fala “esqueci isso”. Ou a gente fala “me lembrei disso”, ou “lembrei isso”. Como também, ou a gente fala “se esqueceu disso” ou “esqueceu isso”. E, se o tempo verbal mudar, a regra continua: “se esquecerá disso” ou “esquecerá isso”, “me esquecerei disso” ou “esquecerei isso”. Certo?

O “me” e o “se” são pronomes (me, te, se, lhe, nos, vos, o, a…). Sempre que eles aparecerem junto com os verbos “esquecer” e “lembrar”, esses verbos serão pronominais e, dessa forma, vão exigir a preposição “a”. Caso contrário, não vão exigir.

# PAGAR/PERDOAR/AGRADECER

Os verbos “pagar”, “perdoar” e “agradecer” só exigem preposição quando se referem a alguma pessoa. Se ele se referir a uma coisa ou objeto, então não terá preposição. Veja o exemplo a seguir:
Cromeldo pagou o cheque ao Jurandiano.

Cheque de R$ 2,80
Só tem preposição “a” em “pagou AO Jurandiano”, pois Jurandiano é pessoa (não é objeto, coisa ou animal… quer dizer, pode até ser um “animal”, mas não vamos entrar nesse mérito).
Não há preposição em cheque, pois cheque não é gente, não é pessoa: é coisa, é objeto. Por isso que a gente fala “pagou o cheque” e não “pagou ao cheque” e falamos “pagou AO Jurandiano” e não “o Jurandiano”. Portanto, só se usa preposição quando foi gente, quando for pessoa.
Se um dia você ouvir alguém falando “paguei um hot-dog para o fulano”, então essa pessoa está chamando “fulano” de animal ou coisa: não está reconhecendo “fulano” como ser humano. Interessante, né? Agora, você pode xingar as pessoas sem elas perceberem (certifique-se que elas não conhecem o Gramaticando ou não leram essa postagem). Viu como a gramática é legal?
Seguem essa regra os verbos “Agradecer” e “Perdoar”.
#CHAMAR


O verbo “chamar” tem três significados
>>> Significando “apelidar”
O verbo “chamar”, significando “apelidar”, é total FLEX: dá para todo mundo de todos os jeitos possíveis (olhe bem o que você vai pensar, mente suja…). O verbo “chamar” literalmente dá de tudo, como você quer que ele dê, sem preposição ou com. Veja:
“Velhinha do Chapeu”
(ou será “velhinho”?)



Chamei Zuldicreida de “Velhinha do Chapéu”.
Chamei a Zuldicreida de “Velhinha do Chapéu”.
Chamei Zuldicreida “Velhinha do Chapéu”.
Chamei a Zuldicreida “Velhinha do Chapéu”.

Lembre-se: “chamar”, nesse caso, tem o sentido de “apelidar”.

>>> Significando “invocar”

O verbo “chamar”, significando “invocação”, precisa da preposição “a”

Chamei a Jesus Cristo

Observe, nessa oração, que eu estou invocando a Jesus Cristo (e não o “chamando”, o convidando)

>>> Significando “convocar”

O verbo “chamar”, significando “convocar”, não precisa da preposição “a”

Chamei o cachorro voador



Observe que, diferente do caso anterior, eu não estou “invocando” o cachorro voador, mas sim o convocando, “chamando” ele. Senão seria “chamei ao cachorro voador” (estou “invocando” o cachorro).

Já vimos, até aqui, a regência de 17 verbos. Acredito que esses sejam os principais a saber. Na parte 4, logo abaixo, tem mais 17 verbos (nem tão usados). Portanto, o Gramaticando mostrou, ao todo, a regência de 34 verbos para você nessa postagem. Agora é simples: é só decorar tudo.

Créditos na ordem em que as imagens aparecem
sovacodesapo.blogspot.com
8tentaculos.wordpress.com
kiwicomqueijo.blogspot.com
toatoablog.com

Parte 4: Outros verbos

Abaixo, a regência de alguns outros verbos (nem tão usados como os que já foram apresentados)

#SIMPATIZAR/ANTI-SIMPATIZAR
Sempre exige a preposição “com”. (eu simpazo com fulano, com ciclano,…)

#AGUARDAR
Exige e não exige preposição: (Eles aguardavam o ônibus ou eles aguardavam pelo ônibus)

#FALTAR/RESTAR/BASTAR
Intransitivos ou exigem a preposição A.
Ele faltou hoje (intransitivo)
Ele faltou ao trabalho (prep. A)

#PROCEDER
>>> Significando “dar início” ou “realizar” exige preposição A
Zuldicredo precedeu à realização das provas

>>> Significando “originar-se” exige preposição DE
A dor de barriga de Zuldicredo procede da comilança do final de semana

>>> Significando “conduzir-se” ou “ter fundamento” é intransitivo
As palavras de Zuldicredo não procedem

#RENUNCIAR
Exige ou não exige preposição “a”
Javalino renunciou o cargo (sem)
Javalino renunciou ao cargo (com)
Javalino renunciou a presidência (sem)
Javalino renunciou à presidência (com)

Admitem duas construções (com e sem preposição) os verbos:

Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, noticiar, notificar, prevenir

Exemplo:
“avisar algo a alguém” ou “avisar alguém de algo”
“advertir algo a alguém” ou “advertir alguém de algo”
etc…

Acesse o blog do gramaticando: blogdogramaticando.blogspot.com

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