Mais de 600 mortes na tragédia na região serrana do Rio de Janeiro

É tempo de chorar os mortos da tragédia 
O Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, decretou sete dias de luto oficial pelas vítimas das enxurradas que dizimaram cinco cidades da região serrana fluminense na terça-feira. Segundo o último balanço oficial, 601 pessoas morreram e mais de 14 mil perderam as casas na sequência das chuvas torrenciais que provocaram cheias e deslizamentos de terras, engolindo bairros, danificando estradas e deixando a população praticamente sem serviços.
Segundo as últimas informações da Secretaria de Estado da Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, 267 pessoas morreram em Nova Friburgo, 261 em Teresópolis, 53 em Petrópolis, 18 em Sumidouro e duas em São José do Vale do Rio Preto.
Entre aqueles que perderam a casa, as autoridades distinguem os que foram temporariamente recolhidos por familiares ou amigos (desabrigados) e os que não têm onde ficar, estando por isso dependentes dos apoios públicos (desalojados). Assim, em Teresópolis há 1300 pessoas na primeira situação e 1280 pessoas na segunda; em Nova Friburgo são 3600 pessoas desalojadas e 1970 desabrigadas e em Petrópolis outros 3600 indivíduos desalojados e 2000 desabrigados.
Um levantamento feito pelo jornal “O Estado de São Paulo” com base em imagens de satélite indica que os efeitos das chuvas se abateram, em menor ou menor grau, sobre uma área de 2.300 quilómetros quadrados.
Os trabalhos de busca e salvamento, de resgate e de limpeza em curso estão a decorrer com muitos constrangimentos, não só porque não há luz eléctrica, como sobretudo porque muitas áreas permanecem inacessíveis – nesses locais, a ajuda está a chegar de helicóptero, e muitas pessoas estão a ser içadas por cordas.
Em Nova Friburgo, as poucas lojas que abriram as portas de manhã tinham longas filas de clientes para comprar alimentos. À hora de almoço a chuva voltou a cair com força, as ruas da cidade voltaram a alagar e os trabalhos de resgate foram interrompidos.
Várias estradas estão cortadas e a lama voltou a correr pelas colinas abaixo provocando novas situações de destruição. O governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que tinha planeada uma visita a Nova Friburgo, não conseguiu chegar à cidade porque o helicóptero onde seguia não tinha como aterrar em segurança.
Sérgio Cabral disse chegará a hora de fazer “autocrítica” e “avaliação” da tragédia, mas que esse momento ainda não chegou.
Em Nova Friburgo, as famílias que perderam as casas foram realojadas em abrigos improvisados numa escola e três igrejas. De todos os lados têm chegado alimentos, produtos de higiene, roupas e outros materiais para ajudar à sobrevivência daqueles que perderam tudo na intempérie. Os donativos vêm de igrejas, instituições, empresas e de muitos voluntários.
Por entre o caos e o medo de nova tragédia, realizaram-se ao longo do dia dezenas de funerais.

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